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El Niño: Entenda os impactos do fenômeno climático no Pará
Por: Valéria Ramos
Recentemente, ganhou destaque na internet e em meios de comunicação, notícias sobre o fenômeno climático natural El Niño, que é provocado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial causando uma alteração na circulação da atmosfera e mudança em padrões de elementos climáticos, tais como chuva, temperatura e vento, em diversas regiões do planeta.

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O fenômeno começou a chamar atenção devido a confirmação oficial de que haveria um novo El Niño em 2026, pelo Centro de Previsão Climática (CPC/NCEP/NWS) da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), encarregada por monitorar os oceanos, mapear os mares, emitir alertas meteorológicos e estudar o clima global. A previsão também foi apontada por outros centros meteorológicos internacionais, dentre eles a Agência Meteorológica do Japão (JMA), o Centro Climático da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APCC), o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), e pelo próprio Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), no Brasil. Segundo o monitoramento do órgão brasileiro, na primeira semana de junho o índice relativo Niño 3.4, uma área específica do Oceano Pacífico equatorial, atingiu +0,7°C, valor que caracteriza o estabelecimento das condições do El Niño.
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De acordo com o histórico dos impactos desse fenômeno no Brasil, os episódios de El Niño possuem efeitos diferentes em cada região do país. Em áreas das regiões Norte, por exemplo, há a tendência do aumento do risco de estiagens, redução da umidade do solo e impactos sobre os recursos hídricos. Em contrapartida, a Região Sul tende a apresentar eventos de chuva intensa, alagamentos, e cheias de rios em algumas localidades.
O Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), é uma das instituições que observam variáveis que permitem identificar o desenvolvimento e intensidade do fenômeno, tais como a temperatura da superfície do mar no Oceano Pacífico, os ventos, e a pressão atmosférica. Além disso, há a utilização de modelos climáticos, com o uso de simulações computacionais que representam o sistema climático da Terra, para projetar a evolução do El Niño nos meses seguintes, permitindo a elaboração de previsões e cenários que auxiliam no planejamento e na elaboração de estratégias de enfrentamento.
Segundo nota técnica do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Pará e da Coordenadoria Estadual de Proteção de Defesa Civil, o Estado do Pará poderá enfrentar, entre os anos de 2026 e 2027, a possível atuação de um fenômeno El Niño intenso, potencializado pelos efeitos do aquecimento global e pelas mudanças climáticas observadas nas últimas décadas. Dentre os efeitos que podem ser observados estão a redução das chuvas, o aumento das temperaturas e a intensificação das ondas de calor em diversas regiões do Pará, especialmente nas localidades do Xingu, Carajás, Araguaia, Tapajós, Baixo Tocantins e Marajó, onde historicamente há maior ocorrência de queimadas e incêndios florestais durante a estiagem, devido à combinação entre vegetação seca, elevadas temperaturas, e baixa umidade relativa do ar, que deixam a região mais suscetível a estas ocorrências.

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De acordo com o Oficial do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Pará e Chefe da Subdivisão de Informações de Monitoramento de Desastres (SIMD), Leonardo Santos, os principais impactos do El Niño em Belém e na Região Metropolitana se referem ao aumento das temperaturas, à redução da qualidade do ar e aos efeitos indiretos das queimadas que ocorrem em outras regiões. Ele destaca as ações que as pessoas podem realizar para se prevenir e planejar de forma individual: “A população pode contribuir adotando medidas simples, como economizar água, evitar queimadas e manter-se hidratada durante períodos de calor intenso. Neste momento, não há previsão de desabastecimento de água ou energia elétrica, no entanto, um período prolongado sem chuvas pode provocar redução dos níveis dos rios e afetar atividades que dependem dos recursos hídricos, por isso, é importante acompanhar os alertas emitidos pela Defesa Civil e demais órgãos oficiais”.
A meteorologista e analista em Ciência e Tecnologia do CENSIPAM, Nilzele Gomes Jesus, ressalta que atividades que dependem diretamente dos recursos hídricos, tais como agricultura, transporte fluvial, abastecimento de água e gestão de recursos hídricos, podem sofrer impactos maiores, caso a redução de chuvas ocorra de forma prolongada. Dessa forma, ela alerta sobre a importância de ter atenção aos alertas e previsões: “É importante acompanhar continuamente os indicadores meteorológicos e hidrológicos, uma vez que os impactos do El Niño sobre os rios da Amazônia costumam ocorrer de forma gradual e podem variar significativamente entre diferentes áreas da Região Norte. De modo geral, estar bem informado é a melhor forma de se preparar para possíveis impactos associados ao fenômeno”.


