top of page
image_edited.jpg
Imagem: Priscila Schalken

Xenofobia passou de crime a tendência?

Por: Priscila Schalken

Na última semana, mais precisamente a partir do dia 18 de novembro, uma fala realizada pelo Chanceler alemão, Friedrich Merz, durante o Congresso Alemão do Comércio no dia 13 de novembro, repercutiu de forma global, principalmente nas redes sociais e entre os brasileiros. Merz cita sua estadia no Estado do Pará, mais precisamente em Belém, após retornar da sua agenda referente a COP-30. Em seu discurso, o mesmo afirma, aos seus ouvintes alemães, como a Alemanha é um dos países mais bonitos do mundo e a insatisfação do mesmo, e supostamente de outros jornalistas, em relação a sua visita à Belém.

 

"Senhoras e senhores, nós vivemos em um dos países mais bonitos do mundo. Perguntei a alguns jornalistas que estiveram comigo no Brasil na semana passada: 'Quem de vocês gostaria de ficar aqui?' Ninguém levantou a mão. Todos ficaram contentes por termos retornado à Alemanha, na noite de sexta para sábado, especialmente daquele lugar onde estávamos" afirmou o Chanceler. Em um documentário produzido pela DW Brasil, filial brasileira do site alemão Deutsche Welle, é evidenciado o retrocesso presente em questões ambientais na Alemanha, como a poluição de rios e córregos do país, na qual 90% está em condições regular ou ruim, resultando na morte de peixes de água doce e intoxicação ao consumo das águas. Aspectos como a indústria e mineração são um dos causadores desta poluição. Tal fala do político alemão, traz à superfície um sentimento carregado em muitos países colonizadores há séculos e que o Brasil foi vítima e ainda sofre sequelas: a supremacia. Classificada como a crença da superioridade de uma raça em relação às outras, a supremacia esteve presente em diversos momentos, períodos e movimentos na história em diferentes partes do mundo e que reverberam até hoje. Desde o anúncio de que Belém seria sede da COP-30, diversos veículos de imprensa, internautas e figuras públicas, internacionais e nacionais, demonstraram com afinco a sua insatisfação pela escolha. Comentários afirmando o despreparo e incapacidade da Capital Metropolitana de Belém de receber o evento global. 

 

Contudo, em um Estado que apresenta a Amazônia e culturas originárias de forma tão viva, tão pulsante, temos o direito de presidir uma temática que vivemos todos os dias. Os períodos da colonização e da escravidão deixaram marcas em cada cidadão do mundo, sendo este de um país colonizador ou colonizado. As mais evidentes são a desigualdade social e a crença supremacista, em que ambos apresentam o preconceito e a marginalização de outros indivíduos. Com o passar dos séculos, tais preconceitos foram se tornando menos visíveis, contudo sempre estiveram presentes. Sejam por meio de frases como “daquele lugar onde estávamos” (fala expressa pelo chanceler para se referir a uma cidade carregada de originalidade), “olha a tua cor” (fala de uma mulher, torcedora de um time sulista, para se referir a um torcedor de um time nortista), ou até mesmo, “os preços estão absurdos pra esse ‘fim de mundo” (fala de um agente de cruzeiro da COP após ir em um supermercado em Belém).  

 

O Brasil, como uma democracia consolidada, reafirma o seu orgulho como pátria de povos multiplos ao consolidar a LEI Nº 9.459, DE 13 DE MAIO DE 1997, que classifica como crime “Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, tendo como pena a reclusão de um a três anos e multa. Essa linda cidade possui, sim, muitos desafios que ainda precisa enfrentar, seja no acesso a saneamento básico, melhoria das ruas e bairros presentes na periferia, e entre outros. Contudo, Belém não se resume apenas a isso e não é a primeira e, certamente, não é a única a apresentar esses desafios. Sendo assim, nossa Belém, nosso norte, nossa Amazônia, nosso Brasil, tem muito a contribuir para o mundo. Por meio da economia e do comércio? Sim! Mas também, culturalmente e historicamente, por estar carregada de várias histórias, histórias essas que trazem as raízes do porque o Brasil é conhecido pelo seu calor, seu amor e originalidade. 

O Guajará, desde 2025

bottom of page