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Imagem: Vitória Ferreira/ O Guajará

Produções universitárias ganham espaço na cena independente de Belém

Por: Bianca Jansen

Por meio de curtas-metragens e ensaios fotográficos, estudantes de comunicação de Belém têm produzido narrativas que dificilmente encontram espaço na mídia local. Fora dos comerciais e de limitações editoriais, esses trabalhos apresentam uma perspectiva atravessada por vivências locais, identitárias e de experimentação estética. Mais do que trabalhos que não se restringem ao ambiente acadêmico, essas produções têm encontrado espaços próprios de exibição. É nesse contexto que eventos como o festival Val-de-Cannes, organizado por estudantes de publicidade e propaganda do Centro Universitário do Pará (Cesupa), se tornam muito relevantes. Realizado no mês de junho, o festival reuniu trabalhos universitários de instituições de todo o Brasil, funcionando como uma vitrine para projetos desenvolvidos dentro e fora da universidade.

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Imagem: Vitória Ferreira/ O Guajará

Na sua terceira edição, o evento alcançou um novo patamar, foram 62 trabalhos inscritos, vindos de 31 instituições de 17 estados brasileiros. Segundo Érika Oikawa, coordenadora do curso de publicidade e propaganda do Cesupa, essa foi a primeira vez que o festival recebeu produções de todo o país, “O Val-de-Cannes é uma plataforma para gerar engajamento e permitir que os estudantes mostrem seus trabalhos, criando conexões entre o mercado, os alunos e o público do audiovisual”, afirma.

Produções autorais e novas narrativas

Durante muito tempo na Região Amazônica, a construção das narrativas pertenceu a olhares externos que nunca chegaram a vivenciar essa realidade, e iniciativas como esta indicam uma virada de chave, na qual amazônidas assumem o protagonismo dessas narrativas.

 

Essa construção da própria história esteve presente tanto no audiovisual quanto nos ensaios fotográficos apresentados. Entre os curtas exibidos, temas contemporâneos e experimentais ganharam espaço, como no filme “Notas de uma (Re)memória”, dirigido pelo estudante Lucas Vázquez, que propõe um diálogo entre gerações a partir da inteligência artificial, conectando um aluno de piano ao seu professor por meio da restauração de uma fotografia, “A proposta foi discutir a inteligência artificial a partir dessa relação entre gerações”, explica.

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Imagem: Vitória Ferreira/ O Guajará
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Por: José Otávio e Vitória Ferreira

Segundo ele, o processo de produção exigiu cerca de dois meses e meio, com ajustes de roteiro e desafios logísticos, mostrando que mesmo com as dificuldades que produções independentes apresentam, os estudantes têm buscado contorná-las para criarem projetos promissores.

 

Na fotografia, os ensaios também evidenciam o uso da imagem como ferramenta narrativa. Trabalhos desenvolvidos a partir de conceitos temáticos exploraram elementos como terra, água, fogo e ar, conectando essas ideias a realidades locais, como o cotidiano de trabalhadores do Ver-o-Peso.

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Imagem: Vitória Ferreira/ O Guajará

Um dos projetos de impacto social que teve destaque e que evidencia a potência dessas produções, foi o “Retrato de Força”, desenvolvido por estudantes da agência experimental do Cesupa. O projeto reuniu ensaios fotográficos com mulheres em situação de vulnerabilidade, incluindo vítimas de violência doméstica e escalpelamento atendidas pela Santa Casa de Misericórdia do Pará.

 

Para Louise, estudante do primeiro semestre de publicidade e propaganda do Cesupa, o processo foi desafiador desde o início. “A gente ficou apreensivo, porque era um público sensível e era o nosso primeiro contato fora da faculdade”. Segundo ela, o trabalho exigiu preparação emocional além da técnica, “A gente precisou se preparar não só com os equipamentos, mas também emocionalmente para receber essas mulheres”, relata.

 

A proposta ia além de uma produção estética, o objetivo era utilizar a fotografia como uma ferramenta de reconstrução da autoestima. A proposta inspiradora do produto era mostrar para aquelas mulheres que elas poderiam ser muito mais do que a violência que sofreram, e que a história delas não havia acabado por conta do trauma sofrido.

 

Para Denise Corrêa Costa, diretora de educação especial inclusiva do Estado do Pará, que ajudou a fazer a intermediação entre os estudantes e as mulheres, o resultado foi significativo: “Os alunos conseguiram captar imagens que elevam a autoestima e resgatam o amor próprio dessas mulheres”, afirma.

Formação para além da sala de aula

Além das produções, o próprio processo de organização do festival também integra a formação dos estudantes, o evento é planejado e executado por alunos, que assumem funções que vão desde a curadoria até a produção, “O principal objetivo é dar visibilidade aos projetos universitários e incentivar a produção audiovisual”, explica Isabel Diniz, da comissão organizadora.

 

Mais do que um evento universitário, o Val-de-Cannes se encaixa em um cenário maior, onde estudantes buscam alternativas para exibir, compartilhar e legitimar suas produções, em um ambiente onde a mídia tradicional ainda possui alguns filtros restritivos, esses espaços funcionam como circuitos alternativos de circulação.

Ao transformar a universidade em ponto de partida, essas iniciativas seguem para um movimento contínuo de produção independente, onde novas perspectivas, olhares e narrativas encontram não apenas espaço, mas também um público muito engajado.

O Guajará, desde 2025

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