_jfif.jpg)
F1 é a tentativa da FIA para a popularização do esporte na América do Norte
Por: Rickellmy Santos
F1 - filme dirigido por Joseph Kosinski, o mesmo responsável por Top Gun: Maverick, longa que dá sequência muitos anos após os eventos de Top Gun - Ases Indomáveis, e produzido por Lewis Hamilton, o heptacampeão da Fórmula 1 que teve papel central na questão de facilitar o envolvimento da FIA (Federação Internacional de Automóvel), na produção do longa, tendo com essa parceria, o acesso aos cenários reais em que os pilotos se encontram para a realização das corridas, além de conseguir a participação de alguns dos pilotos mais conhecidos do público, como por exemplo, Fernando Alonso, Max Verstappen, George Russell, entre outros. Tudo isso não passa de uma tentativa de popularizar o esporte entre o grande público estadunidense, que historicamente nunca teve interesse na modalidade automobilística. Alguns desses aspectos são sentidos no filme, como em cenas que desafiam as regras da própria FIA para criar um personagem americano que vence independentemente de todas as dificuldades e adversidades enfrentadas, evidenciando o ideal do american dream - essa crença de que qualquer pessoa pode conquistar o sucesso através do trabalho duro, personagem esse que coincidentemente também é dos EUA.
Na história, acompanhamos Sonny Hayes (Brad Pitt), ex-piloto de Fórmula 1, que teve a sua carreira precocemente encerrada, após um grave acidente, ocorrido durante o Grande Prêmio da Espanha. Hayes era um prodígio quando subiu para a elite do esporte nos anos 1990, visto como um sucessor para os grandes pilotos da época, citados diretamente no filme, como Nigel Mansell, Alain Prost, e também o nosso maior piloto de corrida, Ayrton Senna, demonstrando como o longa se preocupou em homenagear e determinar o tom acurado e preciso que o filme se propõe a ter. 30 após após o seu acidente, Hayes volta aos holofotes da mídia automobilística, para liderar a equipe fictícia, Apex GP, criada pelo seu amigo, e ex piloto de F1, Rubén Cervantes (Javier Bardem) que vêm enfrentando dificuldades empresariais em manter a equipe, e também para domar o novo piloto prodígio, Joshua Pearce (Damson Idris), um jovem que assim como ele era na sua juventude, é rebelde e arrogante.
As cenas imersivas são o grande trunfo do filme, Kosinski assim como feito em Top Gun: Maverick, o seu trabalho muito elogiado pelas cenas de ação aéreas, que na ocasião, liderados por Tom Cruise, os atores tiveram que voar em caças de verdade, para que pudessem sentir o peso da Força Gravitacional em tela, dando a sensação de veracidade para a cena, já em F1, Kosinski além de ter acesso para os grandes prêmios de corrida, fez com que Brad Pitt e companhia gravassem cenas de corrida em carros de Fórmula 2, para também trazer a veracidade do impacto da gravidade no corpo humano. A experiência foi ainda mais intensificada pela primorosa trilha sonora de Hans Zimmer, que como sempre não decepcionou em criar uma ótima soundtrack que pudesse se encaixar perfeitamente com o filme, lembrado por seus trabalhos famosos, como nos filmes “A Origem”, “Interestelar” e “Duna”, nesse seu novo trabalho, teve um detalhe que deixou a sua trilha ainda mais imersiva, a fenomenal mixagem de som fez com que o telespectador conseguisse sentir emoções através do barulho provocados pelos motores dos carros, algo que transformou esse filme não só em um indicado ao oscar de melhor mixagem de som, mas em uma experiência que não deve ser vista, mas sim sentida em uma sala de cinema.
O aspecto negativo do filme fica por conta da resolução dos personagens, que apesar de introduzir muito bem os nomes que serão responsáveis por contar a história, acaba se perdendo em prol do clichê de roteiro, em que os personagens secundários não tem propósito além de dar sentido para a decisão do protagonista. O exemplo mais claro disso fica por conta da Kate McKenna (Kerry Condon), o longa introduz ela de forma natural, sendo a diretora técnica da equipe e com grande personalidade própria, mas que logo se desmorona, fazendo com que se torne apenas um interesse amoroso para o Sonny, igualmente aos seus troféus, que ele rejeita durante todo o filme. Isso demonstra como a solução de roteiro para diversas personagens femininas ao longo dos últimos anos nos filmes hollywoodianos, se tornaram apenas uma peça de interesse para o protagonismo masculino.
Na disputa pelo Oscar, filmes como “Hamnet”, “Pecadores” e “Valor Sentimental”, foram indicados por tratar de temas artísticos, históricos e sentimentais, mas com F1 isso não acontece, o filme está longe de ser visto como um obra que vai ser lembrada pela capacidade de emocionar o espectador, como os filmes citados acima conseguiram, a garantia da vaga na lista de indicados ao melhor filme do ano ficou por conta dos aspectos técnicos. Alguns desses aspectos foram essenciais para a indicação, como o uso de efeitos especiais que quase não são perceptíveis ao grande público, a maravilhosa mixagem de som, que deixou a experiência do cinema ainda mais imersiva e empolgante, isso tudo em um contexto que cada vez mais o cinema está perdendo espaço para os streamings e serviços de televisão, Kosinski consegue mais uma vez provar que a fala de Steven Spielberg, de que Top Gun: Maverick tinha salvado o cinema, não foi por acaso. Por último, mas não menos importante, a espetacular direção de Joseph Kosinski consegue nos fazer se sentir numa corrida de verdade, o principal uso para esse feito foi o ângulo de câmeras, que vai se tornando um personagem dentro do autódromo, com takes que vão indo da pista para o piloto, acompanhando a roda queimar no asfalto, as várias trocas de marchas durante as curvas e o volante sendo direcionado rumo a linha de chegada, estratégias que funcionaram para a experiência de um filme que foi vendido como o filme definitivo de Fórmula 1.
Por: Junior Wanzeler
Por: Anna Mescouto


