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Sonhos de Trem e os encotros que moldam quem somos

Por: Priscila Schalken

Confesso que não sou uma cinéfila tão assídua, como gostaria, mas um bom filme, é um bom filme. Tive conhecimento de “Sonhos de Trem” durante o anúncio de indicados ao Oscar 2026, após descobrir que o diretor de fotografia é o brasileiro Adolpho Veloso. Desde então, tive curiosidade e vontade de assistir. Reservei um tempo só para isso, e posso confessar que me surpreendeu de diversas formas.

 

Sonhos de Trem narra a história de Robert Granier, um lenhador que tem vivido a maioria de seus dias de maneira monótona e sem um objetivo, até conhecer Gladys. Porém, uma tragédia afeta Robert de maneira profunda e eterna.

 

Começando com os aspectos que formaram o filme, apesar de um elenco principal com poucos personagens, cada um dos atores se destacou de uma forma primordial, trazendo a essência e alma das histórias interpretadas. Assim como a direção, Clint Bentley, e o roteiro adaptado baseado no conto de Denis Johnson, produzido por Clint Bentley e Greg Kwedar, muito bem estruturados e sem qualquer espécie de contexto inacabado ou excesso de detalhes desnecessários.

 

Partindo para a fotografia, uma das três indicações ao Oscar 2026, Adolpho fez um trabalho excepcional em cada take e ângulo proporcionado nesse longa-metragem. Cada imagem retrata o âmago do sentimento de Robert, seja florido com vista para um lago ou cheio de árvores que balançam de acordo com o vento indicando a chegada da noite. A fotografia dessa obra se tornou, facilmente, o motivo para eu ter aproveitado tanto assistir.

 

O conjunto de elementos que formam “Sonhos de Trem” transmite uma beleza focada nos detalhes. Assistindo, eu consegui sentir os sentimentos de Robert, que por muitos anos viveu na solidão e foi atingido por um sentimento inexplicável.

 

Sem dar spoilers e incentivar a cada um de vocês a assistir, a obra evidencia o impacto das pessoas que atravessam nossas vidas, considerando que cada uma delas faz parte de pelo menos uma fração de quem somos e quem nos tornamos.

 

O cotidiano de Robert nos ensina que a tragédia pode estar atrás da porta, na esquina, e por isso vale a pena viver mesmo com a turbulência de emoções que isso nos oferece, principalmente o amor: um sentimento que nos desperta e impacta quando menos esperamos.

 

Caso tenha ficado interessado, Sonhos de Trem está disponível no catálogo da Netflix, com duração de 1h43min de pura beleza.

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