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Imagem: Vitória Ferreira/ Jornal O Guajará

Videomapping: quando prédios públicos se transformam em espaços de arte

Por: Valéria Ramos

Entre imagens, animações e vídeos projetados, obras de artistas ganham vida em prédios públicos, ocupando as ruas e chamando a atenção dos transeuntes. Essa técnica é chamada de videomapping, e transforma fachadas de prédios, esculturas e monumentos em grandes telas em movimento, com dinamicidade e interatividade.

 

A técnica nasceu nos anos 1960 e sua provável primeira exibição foi realizada na inauguração da mansão mal-assombrada, na Disney, em que foram filmadas cabeças de cantores reais com uma câmera, e as imagens foram projetadas em bustos de mármore, assim, as cabeças cantavam durante o passeio.

 

O videomapping utiliza a projeção de imagens em 2D e 3D, onde ocorre o mapeamento do local que será utilizado como “tela”. Posteriormente, a fachada é recriada com programas de design 3D que reproduzem com precisão as suas proporções, e baseado neste mapeamento, as obras são projetadas.

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Imagem: Vitória Ferreira

A artista visual, Bárbara Savannah, oriunda da Ilha do Marajó, localizada no Estado do Pará, terá sua obra exibida pela primeira vez com o uso do videomapping, tendo como foco as comunidades de Pequizeiro e Cajazeiras, localizadas no município de Paraíba, e possui a Estrada de Ferro de Carajás como plano de fundo de sua arte, retratando pessoas que moram perto da ferrovia, buscando conectar vivências muito comuns de boa parte dos brasileiros.

 

Bárbara relata como foi o processo de construção dessa obra e os sentimentos que a experiência lhe proporcionou: “Fiz de forma muito intuitiva, não é uma linguagem que eu domino, então tudo foi novo para mim. Mas sentia que precisava arriscar e imprimir o olhar da experiência que gosto de ter ao me deparar com a novidade e com o contato com lugares e pessoas. Isso foi se mostrando ao longo do processo de edição. Eu tinha um caminho traçado: sair de São Luís e chegar até o Pará de trem. Decidi parar em Santa Inês e fui conhecendo pessoas que me levaram até essas comunidades. O resto foi a história delas se apresentando e nos recebendo ao longo da viagem. Editar e montar tudo isso sozinha depois foi surpreendente para mim como artista”.

 

Além disso, ela descreve o diferencial que sente ao ver sua obra exibida de forma não tão usual do seu trabalho: “O mapping já é uma linguagem muito utilizada aqui em eventos culturais e tem uma aceitação muito boa, acho que explorá-lo como um relato quase documental e visual em grande escala traz a possibilidade de ter um registro histórico e artístico. Ao mesmo tempo, sobre a Estrada de Ferro de Carajás, muitas pessoas não frequentam galerias ou exposições, e o fato de a Mostra acontecer em praças e locais públicos, amplia a janela de conhecimento, dando acesso a mais pessoas, que é o mais importante.”

 

A Mostra citada pela artista, ocorreu pela primeira vez em Belém, com exibição no centro histórico da cidade, na Praça Frei Caetano Brandão, e busca imergir o público da população belenense nas comunidades e experiências a bordo de um trem, aliando criatividade artística e tecnologia, transportando à todos por diferentes perspectivas da leitura dos artistas, na cartografia poética da Estrada de Ferro de Carajás.

 

A iniciativa procurou mergulhar na memória ferroviária através do uso de uma tecnologia visual, utilizada com o objetivo de criar impacto e capturar a atenção de quem veio assistir a programação, ou simplesmente passava pelo lugar. O curador do projeto, João Pacca, conta toda a preparação prévia que foi necessária para a exibição das obras de arte: “Todo o projeto foi desenvolvido por meio de especificações das fachadas. Em Belém, projetamos as videoartes contra as fachadas da Catedral de Nossa Senhora da Graça, o Museu de Arte Sacra, a Casa das 11 Janelas - e sua calçada - e o portal para o Forte. Por isso, fizemos um mapeamento da arquitetura e desenvolvemos uma máscara para adequar os pontos de exposição dos vídeos aos símbolos e significados das estruturas, que receberam a Mostra de Imagem de movimento. Os canhões de luz promovidos pelos projetores, de cerca de 20 mil lúmens, foram adequados ao espaço narrativo. Um processo de experimentação bastante complexo que precisa ser criado meses antes, pela dimensão e sensibilidade dos espaços”.

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Por: José Otávio e Vitória Ferreira

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Imagem: Vitória Ferreira

As projeções iniciaram na cidade de São Luís, no Maranhão e passaram por Belém com a mostra de obras de 10 artistas, cinco do Pará e cinco do Maranhão, que tiveram como proposta desenvolver trabalhos autorais inéditos que se ligassem ao público das principais praças públicas das capitais maranhense e paraense, com pontos de vista complementares, mas mantendo a originalidade.

 

A transformação de ambientes públicos em espaços de arte democratiza e captura a atenção de quem vê, permitindo que mais pessoas tenham acesso e conhecimento, não somente a possibilidades artísticas diferentes, mas realidades e perspectivas diversas. Desta forma, enxergando com um novo olhar fachadas de prédios tão comuns aos olhos de quem transita por eles diariamente.

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Imagem: Vitória Ferreira

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